terça-feira, 10 de outubro de 2017

Atypical - A irmã

Em um post anterior (Atypical - O questionario)
Eu disse que em algumas cenas da série lembra muito o meu dia a dia.
E ontem me lembrei da irmã de Sam.

A mais normal da família de Sam é a sua irmã Casey.
Ela acredita no potencial do seu irmão, o trata como normal.
Mas, cuida e defende o seu irmão ferozmente.
                                                          
Nath é assim também.
Cuida e defende do Gabriel.
E acredita no seu potencial e o trata como igual.

Nath: Você viu que o Gabriel tirou 10 em matemática.
Eu: Ele me falou.
Nath: E você não esta feliz?
Eu: A prova é toda adaptada, só tem conta para fazer. Então, o 10 não vale.
Nath: Mas, não é uma prova?
Eu: Sim. Uma prova adaptada.
Nath: E daí? É uma prova e não importa como ela é.

E pensei,
Pensei
Repensei.
Verdade, o mérito é dele.
Não importa como é a prova.
O que importa que ele tirou 10!

Nath, assim como Casey viveu a vida em função do irmão.
E teve um capítulo que foi um tapa na minha cara.
Foi a cena que a irmã do Sam conta sobre o convite de estudar em outro colégio.
E a mãe logo disse: Você não vai! Quem vai cuidar do Sam?

Eu vi a Nana nesta cena.
Quando a Nath teve a oportunidade de mudar de escola,
Eu disse: Ela não pode mudar!!! Quem vai cuidar do Gabriel?

Nana sempre acompanhou o Gabriel em tudo.
Na escola.
No beisebol.
E nos passeios
Ela nunca teve opção de não ir.
Ela faltava em seus compromissos, 
Faltava nos seus treinos
Apenas para acompanhar o Gabriel.

Eu falava que era questão de logística. 
Mas, no fundo, era para não deixar o Gabriel sozinho.
Porque se o Gabriel ficasse nervoso.
Se o Gabriel ficasse só. 
Teria a Nath para fazer companhia.

Espero que na segunda temporada de Atypical, Casey vá para nova escola e tenha muito sucesso na sua nova jornada.
Assim como a Nath mudou e começou um novo ciclo: de viver uma vida só dela.



sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Que o amanhã chegue logo!

Toda vez que o Gabriel chega com um convite de aniversário,
Sempre é uma grande festa.
A alegria toma conta da casa.
E a ansiedade de chegar o grande dia é grande.

É uma festa muito especial.
Festa de sua amiga de escola.
Uma festa de 15 anos

Gabriel mostra o convite e diz:

Gabriel: Mãe, eu preciso daquela roupa que o pai sai para trabalhar.
Eu: Um terno?
Gabriel: Acho que sim, não sei o nome.
Eu: Mas, acho que você pode ir de calça social, camisa e gravata.
Gabriel: Não. Eu quero ir igual a todo mundo. No casamento do tio Binho todos foram com a roupa do pai, só eu que não fui
Eu: É que você esta na idade de crescimento. Terno é muito caro para usar uma vez.
Gabriel: Eu não quero ser diferente.

E lá foi a família
Gabriel, mamãe, papai, nana, vovô e vovó para shopping.
Comprar o terno, camisa e sapato.

Gabriel foi ao shopping feliz.
Não reclamou em entrar nas lojas.
Não resmungou que estava com fome.
Em nenhum momento reclamou de vestir trocentos ternos.
Ou de fechar os botões das diversas camisas que experimentou.

Estava animado,
Feliz
E queria que fosse a roupa perfeita.

Quando compramos, ele queria trazer para casa.
Não entendeu que o terno tinha que ficar para ajustar.
Saiu meio desconfiado da loja.
E só sossegou quando foi buscar.

Vovó, a melhor costureira do Brasil.
Achou que a manga da camisa não estava dando o caimento perfeito.
Então, ajustou a camisa.
  
O vovô, o melhor tintureiro do mundo.
Lavou, passou o terno e a camisa.
Com muito amor

Vovó e vovô são muito especiais
E deixaram a roupa perfeita para o grande dia.

Eu não conheço a aniversariante.
Mas, gostaria de agradecer muito o convite.
Eu desejo que a sua festa de aniversário seja inesquecível.
E que ela saiba que para um convidado, a sua festa já é muito especial.
E será guardada na sua memória para sempre.

Que o amanhã chegue logo!
O Gabriel já esta pronto:
Roupa ok
Cabelo cortado.





terça-feira, 26 de setembro de 2017

As aventuras de quem escuta e não compreende nos EUA

Eu sempre estou no Google procurando informações sobre o distúrbio do processamento auditivo o (DPAC)
No Brasil as informações são sempre as mesmas.
Parece que é um copia e cola das matérias.

Então, procuro em inglês o APD (Auditory Processing Disorder)
E às vezes consigo alguma informação nova sobre a dificuldade.
O grande problema é que muitas vezes o Google não traduz direito, e as palavras ficam meio soltas ou sem significado.

Nesta semana navegando na internet,
Encontrei 3 blogs sobre o DPAC.
2 blogs de garotas que vivem o DPAC e conta o seus relato.
E outro blog de uma mãe que tem uma filha com este problema.
Mas, estes blogs não são mais atualizados.
Uma pena.

Duas coisas me chamaram a atenção nestes blogs

O Barulho.
Todas elas relatam que os barulhos as incomodam.
Que o mundo é muito barulhento.
Porque os sons chegam todos na mesma intensidade.
E que separar todos estes sons, é complicado e cansativo.
E fiquei triste quando uma garota diz que sonha com um mundo silencioso.
Elas também usam fones de ouvidos para fugir do barulho.

O Gabriel sempre reclamou disso
Gabriel: Nath para de fazer barulho.
Eu: Gabriel, ela não esta fazendo nada, só esta colorindo o seu desenho.
Gabriel: Mas, este som me irrita.

Sempre achei um exagero,
E achei que era uma característica muito do Gabriel.
Mas, agora vejo que não.
Que o barulho realmente atrapalha.


Deficiência escondida.
Elas relatam que o DPAC é uma deficiência escondida.
Porque todos olham para elas como se fosse perfeitas.
E não percebem a dificuldade que é para compreender as informações.
Ou acompanhar uma conversa.
E que quando percebem que elas não entendem, acham que elas são burras.
E as incomodas, deixam tristes e elas relatam da dificuldade de socializar.

O DPAC no Brasil e nos EUA são muito parecidos.
A única diferença é que nos EUA o governo dá apoio para estas crianças.
Eles têm um programa para ajudar a desenvolver.
E o aparelho que o Gabriel usa (Sistema FM) o governo disponibiliza nas escolas.

E o melhor de tudo ......
As faculdades oferecem bolsas de estudos para estas crianças com dificuldades.

Um dia... ah... um dia.. quem sabe chegamos lá também.

Coloco o blog das garotas para vocês conhecerem um pouco o seu dia a dia.

https://draft.blogger.com/profile/04927314601907231841

http://apdgirl.blogspot.com.br/


terça-feira, 19 de setembro de 2017

A mensagem simples se torna difícil

O Gabriel tem muita dificuldade de codificar e decodificar as informações.
A linguagem verbal e não verbal também dificulta a sua compreensão.
E esta falta de interpretação é o que atrapalha o seu dia a dia.

Duas situações para explicar como isso interfere no dia a dia:

Situação 1
Em casa não assistimos novela.
Mas, a gente sabe o qual é o assunto de cada novela.

E nestes dias mudando de canal,
Paramos na novela das 6 "o mundo novo" que conta a história do Brasil.

Eu: Nana, já aconteceu a independência do Brasil.
Gabriel: Lógico mãe! A independência do Brasil já aconteceu há muito tempo, você não sabia?
Eu: Não Gabriel. É na televisão?
Gabriel: Não entendi. De novo esta acontecendo a independência do Brasil?
Eu: Não Gabriel. É na novela.
Gabriel: Ah, tá! Você não explica. Credo! Você só complica.

Situação 2
Outro dia estávamos na sorveteria.
E o Gabriel foi para o banheiro.
E voltou logo em seguida

Gabriel: Mãe, em qual banheiro que eu entro? No F ou no M?
Eu: No M.
Gabriel: Tem certeza?
Eu: Sim. M de masculino.

E lá foi o Gabriel correndo de volta.
Quando ele retornou eu perguntei.....

Eu: Porque você ficou em dúvidas, Gabriel?
Gabriel: Porque eu pensei que o M era de mulher. E não tinha o H de homem.
Eu: Ah! Entendi. Eles colocaram Feminino e Masculino.
Gabriel: Não sei por que complicam tanto. Podiam colocar um desenho como em todo lugar.

Para nós “normais” as informações são simples..
Mas, para quem tem um pouco mais dificuldade, a mensagem simples se torna difícil.
E muitas vezes acreditamos que eles estão compreendendo a situação.
Mas, na verdade, eles estão interpretando totalmente diferente as informações.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

​Atypical - O questionário.

Assisti uma nova série da Netflix: Atypical. 
Conta uma história de Sam, um garoto com autismo leve.

O Gabriel não é autista.
Mas, algumas características são muito parecidas.
Ri muito.
Chorei bastante.
E identifiquei várias cenas do meu cotidiano.

Não. 
Eu não sou a mãe neurótica. .... kkkkk
Sou um pouco protetora.
Mas, como a própria personagem diz: só ela sabe o que acontece quando as coisas saem do eixo.
E este medo de voltar às crises é o que faz a gente tenta amenizar todos os problemas.

Logo no primeiro episódio, uma cena que me vi na série. 

Sam esta em busca de uma namorada, e precisa responder as perguntas, mas esta meio atrapalhado e a irmã vai ajudar.
Irmã: O que você gosta?
Sam: Pinguins da Antártica.
Irmã: Vou colocar esportes.

Diversas vezes fiz isso com o Gabriel.
Mudei as suas respostas porque dizia que era errado.
Eu: Gabriel, o que você gosta de fazer? 
Gabriel: Comer?
Eu: Não. Você tem que dizer uma coisa mais interessante. 
Gabriel: Dormir? 
Eu: Não. Vamos colocar beisebol. 
Gabriel: Eu prefiro comer.
Eu: Mas, você não pode colocar isso em uma resposta.
Gabriel: Por quê?
Eu: Porque você precisa falar algo positivo ou interessante. E comer todo mundo come.
Gabriel: Nossa! Que complicado. Eu tenho que mentir é isso?
Eu: Não disse que você tem que mentir. Você gosta de beisebol, não gosta?
Gabriel: Mas, prefiro comer.
Eu: Você não vai escrever comer. 
Gabriel: Mãe, você complica tudo. Que feio mãe! Me manda mentir na resposta

Gabriel assim como Sam não entende porque precisa mudar o seu jeito ou as palavras em um questionário.

Depois que vi esta cena, comecei a pensar que sou uma grande idiota.
Tento encaixar o Gabriel no mesmo pensamento de todos.
Mas, para que fazer isso?
Para as pessoas não rir dele?
Para não ser o estranho?
Mas, será que o estranho não somos nós que agimos para agradar a sociedade?

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Dez coisas que todo adolescente com DPAC gostaria que você soubesse


1 - Andar em grupo: Eu não sei andar em grupo. Vocês costumam andar todos juntos, aonde um vai, os outros vão atrás. Eu não entendo que é para ir junto. As vezes eu me perco em meus pensamentos e quando percebo, vocês foram simplesmente embora. Por favor, se você perceber fale: vamos Gabriel!

2 - Passear: Eu adoro ir passear. Você podia me convidar para ir.  Pode ser que você me chamou no grupo do whatsapp, mas eu não consigo acompanhar tantas mensagens ou se você fala na roda de amigos vamos Ao cinema, pode ser que naquele momento eu não prestei atenção ou  pensei será que ele esta me convidando? Por favor, eu peço que você sempre diga: Gabriel, vamos ao cinema? Assim sei que você esta falando comigo.

3 - Piadas e palavras de duplo sentido: Eu ainda não entendo piadas e palavras de duplo sentido. Sempre tenho a sensação que você esta falando mal de mim, ou rindo da minha cara. Esta falta de compreensão faz com que eu sempre fique na defensiva, e sempre questiono: é comigo?

4 - Sem noção: Sim sou um pouco sem noção.  As vezes falo coisas sem sentido ou tenho atitudes erradas. Quando eu fizer isso, me explique porque você não esta gostando, assim aprendo a não cometer erros novamente. Mas, se eu fizer de novo, tenha paciência e me explique novamente, porque as vezes o contexto é diferente e eu não percebi que estava fazendo errado novamente.

5 - Olhares: Não adianta fazer cara de reprovação. Eu não entendo direito os olhares. Na verdade tenho dificuldade em entender as expressões faciais. Por favor, tenha paciência e me explique o que esta acontecendo. Como eu disse no item acima, eu não compreendo direito.

6 - Orientar: Mamãe, vovó e nana vive me orientando para fazer as coisas. Sempre fala que isso não é gentil ou explica que é falta de educação. Por favor, sempre me oriente o certo. Porque se você ensinar uma bobeira, pode ser que eu reproduza esta brincadeira em algum lugar que não seja o certo. Por exemplo: os meninos xingam entre eles, mas eu sei que não posso fazer isso quando tiver meninas ou adultos em volta.

7 - Barulho: Eu não gosto de lugares com muito barulho ou pessoas falando ao mesmo tempo. Na minha cabeça vira um turbilhão. E, para fugir do barulho, eu uso o fone de ouvido e escuto música, assim foco em apenas um som. Então, não fique bravo se eu não te escutar a todo o momento.

8 - Conversar: Por mais que eu preste a atenção, é muito difícil acompanhar uma conversa, porque na maioria das vezes vocês falam uma coisa, e de repente vocês já estão falando de outro assunto. Isso vira um nó na minha cabeça e perco a linha de raciocínio. Então, se eu não opinar ou não falar algo, não é porque não quero participar, apenas não entendo o que vocês estão falando.

9 - Solicitações: Eu gosto muito de ajudar. Caso você peça e eu não faça, não quer dizer que eu não quis fazer. Na verdade eu não entendi que você pediu para eu fazer algo. Peça sempre em uma frase, e não misture o pedido em uma conversa. 

10 - Sou igual a você: Só que compreendo as coisas de maneira diferente. Mas, eu tenho os mesmos sonhos, medos, alegrias e as frustrações como todo mundo. 


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Uma nova fase: Adolescência.

O Blog Camelo, Mamãe?! entrará em uma nova fase:
A adolescência

Gabriel cresceu.
Ele tem 15 anos, 
Em breve fará 16.
Tem um corpo de 20 anos
E uma maturidade de 10.

Esta confusão de anos,
É o que faz a adolescência ficar mais complicado ainda.

Não sei como abordarei este assunto.
Porque para mim é tudo novo ainda.
E, fazer as pessoas compreenderem esta dificuldade, sem rotular o Gabriel, não sei se conseguirei.

Gabriel é um adolescente igual aos outros. 
Sabe o que é certo ou errado.
Mas, o desencontro da idade cronológica x maturidade é o que complica.

Porque com 10 anos você faz uma bobeira.
As pessoas releva.
Compreende.
E orienta.

Mas, com 15 anos você faz uma bobeira.
As pessoas te julga.
Repreende
E te condena.

A adolescência já é difícil.
É uma mudança física, psicologica e social para todos
Mas, quando você tem uma dificuldade de compreensão, de percepção e de ser sem noção, faz com esta fase seja complicada.


O que aprendi até o momento é:
Amizade sem diferença é o que faz toda a diferença.